esta, na verdade, pesaria mais que a areia dos mares; por isso é que as minhas palavras foram precipitadas.
Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim cravadas, e o meu espírito sorve o veneno delas; os terrores de Deus se arregimentam contra mim.
Zurrará o jumento montês junto à relva? Ou mugirá o boi junto à sua forragem?
Comer-se-á sem sal o que é insípido? Ou haverá sabor na clara do ovo?
Aquilo que a minha alma recusava tocar, isso é agora a minha comida repugnante.
Quem dera que se cumprisse o meu pedido, e que Deus me concedesse o que anelo!
Que fosse do agrado de Deus esmagar-me, que soltasse a sua mão e acabasse comigo!
Isto ainda seria a minha consolação, e saltaria de contente na minha dor, que ele não poupa; porque não tenho negado as palavras do Santo.
Por que esperar, se já não tenho forças? Por que prolongar a vida, se o meu fim é certo?
Não! Jamais haverá socorro para mim; foram afastados de mim os meus recursos.
Ao aflito deve o amigo mostrar compaixão, a menos que tenha abandonado o temor do Todo-Poderoso.
Meus irmãos aleivosamente me trataram; são como um ribeiro, como a torrente que transborda no vale,
turvada com o gelo e com a neve que nela se esconde,
torrente que no tempo do calor seca, emudece e desaparece do seu lugar.
Desviam-se as caravanas dos seus caminhos, sobem para lugares desolados e perecem.
As caravanas de Temá procuram essa torrente, os viajantes de Sabá por ela suspiram.
Ficam envergonhados por terem confiado; em chegando ali, confundem-se.
Assim também vós outros sois nada para mim; vedes os meus males e vos espantais.
Acaso, disse eu: dai-me um presente? Ou: oferecei-me um suborno da vossa fazenda?
Ou: livrai-me do poder do opressor? Ou: redimi-me das mãos dos tiranos?
Ensinai-me, e eu me calarei; dai-me a entender em que tenho errado.
Oh! Como são persuasivas as palavras retas! Mas que é o que repreende a vossa repreensão?
Até sobre o órfão lançaríeis sorte e especularíeis com o vosso amigo?